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sexta-feira, outubro 06, 2006


Post blue


Quando alguém se encontra num estado de desespero não consegue pensar em algo racional. A cor vermelha significava para ele, Alan, um estado de desespero. Vermelho. Parecia que tinha tomado um porre. Um verdadeiro alcoólatra, mas na verdade nunca bebera na vida.

Andava de um lado para o outro em sua própria casa. Imaginava como ficariam suas paredes se estivessem pintadas de vermelho. Vermelho sangue. Sangue, sofrimento. Ele gritava para alguém que não estava ali. Era desespero, puro desespero. Pipoca. Comia apenas pipoca com ketchup. Era tudo muito estranho. Não conseguia imaginar, ter criatividade. Tudo parecia estar perdido.

Quando saia de casa esquecia de tudo. Até do próprio nome ele esquecia. Não lembrava de sua idade, de seus amigos inexistentes, de seus relacionamentos que nunca acontecera. Pensava na borboleta. Uma simples borboleta. Será que ela carregava suas memórias de lagarta ou tudo começava do zero, como um espírito reencarnado?

Seus pés não o agüentavam. Andava sem equilíbrio, parecia que pisava sobre nuvens e sob as nuvens havia agulhas que faziam seus pés sangrarem. Sangrarem até fazer com que ele perdesse toda sua força até que o matasse.

Morte. Morrer era uma virtude que ele admirava. Virtude. Sim, considerava uma virtude. Abandonar este mundo vermelho podre e passar para um plano onde o vermelho só se encontrava nas flores.

Como ele gostaria de se ver livre de todo esse sofrimento. O sofrimento de alguém preso, aprendendo, evoluindo. Queria ser logo perfeito e se tornar infinito espiritualmente. Queria se tornar azul.

escrito por: Linus | @ | |


Hanny Saraiva
A Bêbada e o Equilibrista
Djimi



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by: artur quintanilha - 2007
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