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segunda-feira, maio 29, 2006


Ensaio


É dificil começar um texto. Mesmo que você já saiba o assunto você se pergunta: por onde eu começo? como eu irei tratar o tema? que palavras irei usar? Brincar com as palavras é uma coisa tão prazerosa, pois nos permite expressar todo um conjunto de idéias escondido nos mais escuros pensamentos.
Escrever, pra mim, é libertar toda uma fantasia, talvez uma fantasia infantil, escondida no eu, como personalidade e opinião. Por isso vou tentar escrever uma história, na qual não sei do que se trata e não sei sobre quem fala, mas deixarei ela rolar.

Ensaio sobre Copacabana


Enquanto eu caminhava pela praia de Copacabana eu via, sobre todos os aspectos antropofágicos, a diversidade que ali existia: mendigos, crianças, jovens, adultos, idosos, artistas, pobres...Toda uma sociedade, correta e incorreta. O sol, queimava as moças de corpos sarados e a água refrescava as crianças com suas fantasias inocentes, enquanto se imaginavam em mar aberto num combate entre navios piratas. Na cadeira embaixo do guarda-sol há uma senhora, com seu óculos escuros, observando a praia que já fora, em épocas passadas, o cenário de toda a sua mocidade. "Tempo - pensa ela - uma coisa terrível; destrói tudo, o tempo". Os rapazes com corpos a mostra correm pelo calçadão, paquerando as menininhas bobas. O cachorro brincando com os micos a pular de palmeira em palmeira. Que cenário maravilhoso, que lugar refrescante, que pessoas interessantes! Aonde eu me encaixo nesse povo todo? Seria eu apenas o observador? o pensador? o filósofo? o visionário? Diria que sou tão normal quanto qualquer um. Olho, pois sinto uma certa inveja de não poder realizar tudo aquilo que vejo. Coisas simples como, contar uma piada, dar aquele mergulho na água e me deitar na areia, sentindo toda aquela natureza maritma. Não sou ninguém, mas estou ali, presente, ocupando um lugar no espaço. Eu existo! Continuo sendo mais um, aquele que observa, apenas.

De ponta a ponta, não notava diferença alguma entre as personalidade ali presentes. Eram todos tão iguais, tão cheios de vida. As senhoras levando seus cachorrinhos felpudos a passear, o vendedor ambulante parado naquele banco se refrescando, o policial tirando uma soneca (ô soneca!). Eram todos iguais, até os cachorros, até o vento e consequentemente o cheiro. Sentei-me em um banco de praça, já meio desgastado pelo tempo(?), e ali fico a observar cada um que passa: "Veja o chapéu da senhora ser levado pelo vento!", rio comigo mesmo. Ela parece tão tranquila e alegre; tal fato não a aborrece. Eta povo alegre e charmoso! Eta povo simpático e nervoso! Só posso dizer que amo tudo isso. O morro que desce e aqui faz a festa e mesmo assim não deixa de ter alegria e risadas!

Copacabana, um pedaço do Rio de Janeiro, lugar onde eu vivi e morri e renasci, ali naquela planta bem do lado do mar, onde o vento o bate e recebe toda a graça daquele lugar que já fora cenário de tantas vidas.

escrito por: Linus | @ | |


Hanny Saraiva
A Bêbada e o Equilibrista
Djimi



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